Conheça o conceito de slow fashion e sua importância para o meio ambiente

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A produção e o consumo exacerbados são práticas insustentáveis que geram sérias consequências ambientais e humanas. Essas consequências já podem ser observadas no tempo presente, fazendo com que os consumidores repensem seus hábitos e procurem soluções mais sustentáveis, como o slow fashion.

Apesar de não ser um termo atual, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre o que é slow fashion, quais os seus pilares e como encontrar uma marca que realmente siga esse conceito.

Sabendo disso, a Insider preparou um conteúdo completo sobre o assunto. Confira abaixo.

O que é slow fashion?

A Revolução Industrial e a ascensão do capitalismo resultaram em uma produção massiva ao redor do globo. É possível comprar a matéria-prima em um país, produzir em outro e exportar para todo o mundo. Entretanto, manter esse ritmo exige muitos recursos naturais e mão de obra barata.

A produção massiva e acelerada na indústria da moda ganhou o nome fast fashion — “moda rápida”, em tradução literal. As lojas de departamento são um grande exemplo de como esse sistema funciona: muitas coleções ao longo do ano, peças baratas e que duram por pouco tempo, forçando o consumidor a comprar sempre mais.

Nesse cenário, o slow fashion — “moda lenta”, em tradução literal — surge como uma contraposição ao sistema vigente, propondo maior valorização da cadeia de produção, respeito ao meio ambiente e à cultura local. Isso significa dar mais atenção às pessoas que criam as roupas, além do maior cuidado com os impactos gerados na natureza.

Pilares da moda lenta

Os termos moda sustentável e slow fashion estão em alta, mas nem todas as marcas que se dizem sustentáveis realmente adotam um processo de produção condizente a esses conceitos.

Por isso, é importante entender alguns pilares que fazem parte da moda lenta. Assim, fica mais fácil analisar se uma marca realmente coloca em prática os conceitos que usa em seu discurso. Confira abaixo alguns desses pilares.

Cadeia de produção

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Não tem como falar sobre slow fashion e sustentabilidade sem discutir a cadeia de produção de um produto. Então, é importante saber que criar uma roupa exige diversas etapas que vão além do desenho do estilista.

É necessário pensar na matéria-prima, na modelagem, na costura, na distribuição e no descarte. Então, uma marca que segue o conceito de moda lenta precisa estar atenta a todas as etapas, valorizando os profissionais e buscando materiais de baixo impacto ou que sejam biodegradáveis.

Mão de obra local

Uma pesquisa da instituição internacional Walk Free voltada para a promoção de direitos humanos revelou que cerca de 40 milhões de pessoas trabalhavam em situação de escravidão moderna em 2018. Por isso, outro ponto crucial do slow fashion e seu conceito é a valorização da mão de obra local.

A Insider, que produz roupas íntimas e camisetas tecnológicas, mantém uma cadeia produtiva local em São Paulo e Minas Gerais que engloba desde a produção do tecido até a confecção das peças.

Sustentabilidade

Slow fashion e sustentabilidade caminham lado a lado. Ou seja, a produção de uma moda lenta engloba, também, a utilização de processos e matérias-primas sustentáveis.

A produção do poliéster — fibra muito utilizada atualmente — utiliza cerca de 70 milhões de barris de petróleo por ano, e uma camiseta de algodão requer 2.700 litros em sua fabricação. Com esses dados, fica mais fácil visualizar os impactos da indústria da moda no meio ambiente.

Por isso, é importante buscar soluções que sejam menos agressivas. A tech t-shirt, por exemplo, utiliza quatro vezes menos água que uma camiseta tradicional de algodão.

Transparência

A única maneira de conhecer todos os processos adotados por uma marca é por meio da transparência. Por isso, ao buscar uma roupa sustentável, é importante verificar se existem informações sobre a matéria-prima utilizada ou sobre os profissionais que fizeram a peça.

O Fashion Revolution — movimento global que defende uma reforma sistêmica do mundo da moda — produz o Índice de Transparência da Moda Brasil. Ele analisa como algumas empresas do ramo estão comunicando os clientes sobre suas cadeias produtivas. Desse modo, um dos objetivos do índice é incentivar a prestação de contas em relação aos impactos gerados no meio ambiente.

Durabilidade

O fast fashion precisa que o consumidor queira comprar constantemente. Por isso, diversas coleções são lançadas durante o ano e as peças duram menos, sendo necessário atualizar o guarda-roupa com frequência.

Por outro lado, o slow fashion sugere um consumo consciente. Assim, as peças devem ter um significado especial para o consumidor, que vai investir em uma roupa e conhecer a sua história. Nesse cenário, os itens criados são de alta durabilidade, contribuindo para a diminuição do consumo e do descarte.

Consumo consciente e diminuição dos impactos ambientais

A sustentabilidade se tornou uma necessidade para o planeta, pois a atual maneira de produzir e consumir é insustentável. Uma roupa de poliéster, por exemplo, continua poluindo o meio ambiente após ser descartada, já que leva milhares de anos para se decompor.

Por isso, é importante consumir marcas que assumem um compromisso com o impacto que geram no meio ambiente. Além de peças biodegradáveis e mais sustentáveis, muitas empresas estão criando iniciativas para recolher as roupas que os consumidores querem descartar, responsabilizando-se, assim, por mais uma etapa do processo de produção.